December 19th, 2011 § 0 comments § permalink

Horários dos Grupos de emagrecimento sustentável

November 8th, 2011 § 0 comments § permalink

Se você ainda não faz parte de nenhum de nossos grupos, junte-se a nós!

HORÁRIOS
Grupo 1: Segundas das 14h às 16h
Grupo 2: Segundas das 17h às 19h (grupo jovem)
Grupo 3: Terças das 10h às 12h
Grupo 4: Quintas das 19h às 21h
Grupo 5: Sábados das 10h às 12h

Se estiver interessado(a) em saber mais informações, ligue para nós (21 3065 2995) ou nos mande um e-mail: contato@mutatisemagrecimento.com

Victoza: desconfiemos do milagre

September 10th, 2011 § 2 comments § permalink

por Bruno Marques (médico endocrinologista)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta semana, a revista Veja publicou, como matéria de capa, os efeitos anti-obesidade da medicação Victoza, cujo princípio ativo é a liraglutida. A liraglutida mimetiza os efeitos de uma substância já existente no nosso organismo, o GLP-1. Esta substância é secretada pelo tubo digestivo melhorando a secreção de insulina, dentre outras coisas e, em última instância, reduzindo o peso. O problema é que, no nosso organismo, o GLP-1 é rapidamente degrado por uma enzima, chamada DPP IV. A liraglutida, por outro lado, “foge” desta enzima, e, por isso, consegue agir por muito mais tempo que o GLP-1, sendo capaz de reduzir a glicose e o peso de maneira clinicamente significativa.

Oficialmente, a liraglutida foi liberada pelas autoridades brasileiras para uso em diabéticos. Porém, como há uma grande demanda por tratamento farmacológico da obesidade, visto a pandemia vivida pelo mundo ocidental, cria-se naturalmente uma pressão pelo uso da liraglutida em obesos não-diabéticos. Este uso é também chamado de off label, ou seja, “fora da bula”.

O anúncio desta medicação em uma mídia não científica – ou seja, voltada para o público em geral – é compreensível e poderia ser até louvável, se ponderada, pois a divulgação de conhecimento melhora a qualidade e exigência dos pacientes e obriga os médicos a se manterem atualizados para corresponder a esta expectativa. Porém, a maneira como essa divulgação é feita, prometendo mil e uma maravilhas, preocupa bastante.

Já vimos esse filme antes: uma nova droga vai revolucionar o tratamento da obesidade, ganha as capas de revistas, há uma procura em massa, prescreve-se a droga e, ao final, constata-se que isso não mudou radicalmente a obesidade como problema de saúde pública. Isso aconteceu, por exemplo, com o Xenical, que continua disponível e útil para prática clínica, mas não causou a revolução alardada pelos meios de comunicação. Há ainda um exemplo pior: o Acomplia (rimonabanto), divulgado como a “pílula da barriga”, que foi rapidamente retirado do mercado por ser relacionado a casos de suicídio! Não estamos falando de uma droga lançada obscuramente através da internet e comprada em mercados paralelos. O Acomplia foi lançado pela indústria farmacêutica, divulgada exaustivamente em congressos médicos e liberado pelas autoridades legais de vários países, inclusive as do Brasil.

Não deve ser criada uma expectativa irreal em relação à medicação, como se somente o remédio fosse resolver um problema crônico e, em geral, associado a vários aspectos complexos do comportamento pessoal, como a relação com a comida, o sedentarismo, depressão e transtornos alimentares, tais como como a compulsão alimentar.

Por isso, uma equipe especializada é fundamental no tratamento da obesidade – uma equipe que seja capaz de avaliar o paciente globalmente, em seus aspectos clínicos, psicológicos e comportamentais. Além disso, a implementação das mudanças de estilo de vida aumentam significativamente a probabilidade de não só promover a perda de peso, mas de manter esta perda de peso.

Essa não é uma crítica à medicação especificamente, mas ao modo como ela é, muitas vezes, divulgada. Vemos sempre com bons olhos o surgimento em potencial de mais uma arma na luta contra a obesidade e devemos certamente usá-la, quando houver indicação cientificamente confiável, e sempre associada às múltiplas intervenções no estilo de vida visando à perda de peso responsável, saudável e sustentável.

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Efeitos da obesidade no sistema musculo-esquelético

August 2nd, 2011 § 2 comments § permalink

por Diana Guanziroli (fisioterapeuta)

Há evidências científicas de que a obesidade favorece o aparecimento de artrose nos membros inferiores, especialmente nos joelhos. E artrose significa dor e limitação de movimento.

Nas articulações, os ossos estão revestidos por uma cartilagem que os protege e serve como amortecedor, absorvendo impactos e evitando lesões. A cartilagem sofre desgaste devido ao uso e ao excesso de impacto. Existe um mecanismo de recuperação da cartilagem que repara os defeitos derivados de excesso de uso ou compressão. Mas, se a reparação não consegue superar o nível de desgaste, dão-se as condições para o surgimento da artrose. Obesidade e mal alinhamento esquelético são algumas das condições que prejudicam esse processo de reparação.

Quando existem distúrbios no alinhamento esquelético, o peso não é distribuído homogeneamente nas articulações, mas se concentra sobre pontos específicos, o que aumenta o desgaste articular. É o caso das pessoas que ficam em pé com os joelhos excessivamente juntos (genu valgum) ou excessivamente arqueados e separados (genu varum), provocando aumento de peso na região interna e externa do joelho respectivamente. A obesidade tende a exagerar esta tendência facilitando a lesão. Cada quilograma de aumento de massa corporal tem um impacto de 4kg no joelho. Um terço das cirurgias de prótese de joelho está relacionado com a obesidade.

É provável que aconteçam lesões de tendões, ligamentos e músculos devido ao aumento de massa corporal, em especial quando esta não está distribuída homogeneamente resultando em entorses, distensões, contraturas, quedas.

A coordenação motora e o equilíbrio também parecem ser alterados com a obesidade. Um estudo feito com crianças conclui que as crianças com sobrepeso ou obesas têm mais dificuldade em manter a postura durante exercícios de equilíbrio em pé ou sentado em relação às crianças com peso adequado. Outro estudo, feito em adultos, relata alterações no equilíbrio em obesos. Isto predispõe a quedas com a consequência de possíveis fraturas e entorses. Também gera insegurança que desestimula o exercício físico e a vida ativa.

A atividade física é recomendada nos tratamentos contra a obesidade. Corrida, musculação, andadas, alongamentos formam parte dos programas de exercitação. Mas essas atividades podem ser contraproducentes. Tomemos o caso da corrida: cada passada carrega os membros inferiores com 4 a 8 vezes o peso corporal. No indivíduo com peso normal, a cartilagem afina e após repouso volta a sua situação normal. Mas no caso de pessoas com sobrepeso, ocorre a situação descrita acima. onde a reposição é menor que o desgaste com conseqüente lesão da cartilagem e tendência à artrose. O mesmo acontece na marcha no indivíduo que apoia todo seu peso em cada passo com um golpe contra o chão. Começa assim um círculo vicioso de exercício-lesão-parada para recuperação com subsequente aumento da massa corporal e frustração.  É aconselhável recorrer a avaliação fisioterápica personalizada que indique os movimentos adequados para esse indivíduo de acordo com sua organização corporal.

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Qual será o próximo milagre para perda de peso?

July 17th, 2011 § 7 comments § permalink

por Bruno Henriques Marques (médico endocrinologista)

Todos nós já nos acostumamos com “milagres” rotineiros, geralmente divulgados pela internet, com uma solução inovadora e definitiva para obesidade. Quase semanalmente, surge uma nova fórmula: fitoterápico, raiz, composto químico e afins, que provocarão perda de peso eficaz e rápida. A notícia se espalha rapidamente, há um boom de consumo e alguns meses depois as autoridades se manifestam contra o novo milagre, banindo ou restringindo seu consumo. E aí? Como lidamos com isso?

Recentemente, respondemos ao questionamento de uma paciente a respeito de uma nova “medicação” (será?) que provocaria perda de 8 kg em apenas um mês. Para respondê-la, acessamos o a biblioteca virtual do NIH (National Institute of Health), o maior banco de dados sobre ciência biomédica do mundo, a grande referência científica da Medicina, também conhecido simplesmente como Pubmed. Não havia sequer uma referência a respeito. Feito isto, acessamos o site de divulgação do produto. Como usualmente acontece, o site se baseava no depoimento de alguns supostos usuários elogiando o produto. A composição não era divulgada, falava-se apenas em um conjunto de frutas e raízes sem efeitos colaterais. Simulando uma compro, o site avisava que, acompanhando o produto, havia um programa de dieta e exercício que devia ser aplicado para haver a perde de peso! Este é um site típico dos “novos milagres”, baseado somente em marketing e sem qualquer informação científica.

Para uma medicação anti-obesidade ou anti-hipertensiva ou antibiótico chegar ao mercado, são necessários anos de investimento em pesquisa, testes científicos e estatístico para provar sua eficiência e seus efeitos colaterais. Estes estudos sempre são comparativos. Por exemplo, testa-se um droga X administrando-a a metade da população do estudo, enquanto a outra metade usa um placebo, ou seja, substância sem qualquer efeito no organismo. Nenhum participante sabe se está usando a medicação verdadeira ou o placebo, nem os profissionais envolvidos no estudo. Ao final, os resultados das duas metades são comparados e aí as conclusões são alcançadas. Esta análise descrita conceitua o rigor científico necessário para tipificar uma droga como realmente eficaz e segura. Qualquer proposta milagrosa que não cumpra esses critérios deve ser avaliada com muito cuidado. Os profissionais de saúde devem estar aptos a julgar e orientar os pacientes e o público em geral a respeito.

Quando se trata de tratamento da obesidade, o cuidado a respeito destas soluções mágicas deve ser redobrado. Desconfie destas “medicações” com promessas milagrosas, rápidas e que não teriam efeitos colaterais por serem supostamente “naturais”. Ora, as plantas na natureza não podem ser venenosas? Questione a respeito com um profissional capacitado. Consulte as autoridades sanitárias, cobre a composição, as referências científicas e a descrição dos efeitos colaterais.

E, finalmente, no caso da obesidade e perda de peso, avaliando as promessas da moda e mesmo as medicações autorizadas e submetidas ao rigor científico, chegamos à conclusão que as mudanças de estilo de vida, como reeducação alimentar e prática de exercícios, são fundamentais e mais importantes que qualquer droga. Isso não significa que as medicações são maléficas ou inúteis, mas podem e devem ser usadas em determinadas situações desde que corretamente indicada e monitorada por profissional capacitado. Esteja sempre atento às promessas do momento e aos resultados milagrosos e com pouco esforço. Consulte um profissional habilitado.

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Obesidade e pensamento tudo ou nada: o problema do “jaque”

July 7th, 2011 § 0 comments § permalink

por Lilia Bittencourt (psicóloga)

 

 

 

 

 

 

 

O pensamento tudo ou nada é muito presente na vida de grande parte das pessoas com sobrepeso e obesidade. Trata-se da seguinte visão: ou as coisas são feitas exatamente da forma planejada ou nada mais conta.

Quando uma pessoa se programa para frequentar a academia três vezes por semana, por exemplo, se ela falta um dia, já não vê mais sentido em ir nos outros dois. Quando planeja caminhar 30 minutos por dia, ela não vai se tiver apenas vinte minutos disponíveis.

Essa exigência de perfeição é muito “boicotadora” e acaba por trazer muitos prejuízos para a vida dessas pessoas. Como diz Maria Marta, é melhor o imperfeito feito do que o perfeito não feito. Afinal, certamente é muito melhor ir à academia duas ou até uma vez por semana do que não ir nenhuma, assim como é melhor andar 15 ou até 5 minutos do que não andar nada. Muito frequentemente, as limitações normais da vidanão nos permitem fazer o melhor, mas apenas o melhor possível.

Muitas vezes, um ato de comilança começa com o “jaque”: já que eu comi um pastel, então não tem problema acompanhar com caldo de cana, já que eu furei o planejamento alimentar, então vou “liberar geral”. E assim, um pequeno deslize, que poderia ser logo compensado sem grandes consequências, acaba gerando uma sensação de catástrofe, e levando à ideia de que o controle não surtiria mais nenhum efeito.

No pensamento tudo ou nada, o foco está no negativo. No que falta. O positivo deixa de ser contabilizado. Os defeitos ou falhas ganham destaque enquanto as qualidades e os acertos não são levados em consideração.

Com este tipo de contabilidade psíquica, o balanço, é claro, fica sempre negativo. E, dessa forma, reforça cada vez mais a baixa autoestima e, assim, alimenta a manutenção do sobrepeso e obesidade.

A crença errônea de que devem se comportar de forma retilínea dentro do programa alimentar para todo o sempre faz com que esses indivíduos se sintam muito culpados quando cometem qualquer desvio. E é muito comum ouvir desses pacientes: “Fiquei com muita culpa quando não resisti e comi aquele pedaço de chocolate. Isto me deixou muito chateado comigo mesmo, o que me fez acabar comendo a barra inteira. Na verdade me senti um fraco e pensei que é melhor desistir, pois nunca vou chegar lá”.

Outro aspecto perverso do tudo ou nada é que o “tudo” se expressa através de uma dificuldade de escolher – não o que se quer – mais aquilo de que se deve abrir mão.

Faz-se necessário então um trabalho visando uma redução das altas taxas de expectativas desses indivíduos, pois elas são responsáveis por repetidas vivências de fracasso e incompetência. Além disso, é importante o desenvolvimento de padrões mais realistas de auto-avaliação.  É fundamental a consciência de que perfeição é uma ilusão inatingível. A existência de falhas e defeitos faz parte da vida de todos e não deve anular a existência e importância dos acertos e das qualidades. A auto-aceitaçãoé um passo essencial no aumento da autoestima. Vale a pena ressaltar que estamos falando de uma aceitação sem auto-conformismo, sem acomodação.  De um reconhecimento de que há uma questão que precisa de uma dedicação para ser resolvida.

O caminho que leva ao emagrecimento sustentável é feito de vários desvios seguidos de ajustes de rota.

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Alimentação saudável

June 22nd, 2011 § 0 comments § permalink

por Priscilla Almeida (nutricionista)

Atualmente, em função das exigências do padrão de estética, criaram-se diversas opções de dietas milagrosas que prometem a perda de peso de forma acentuada e rápida. São exemplos as dietas da lua, dietas da sopa, dieta das proteínas, dietas dos shakes, dietas com restrição de carboidrato, entre tantas outras. São dietas que geralmente restringem o tipo de alimento a ser consumido e a quantidade diária de ingestão, e em sua grande maioria causam efeitos negativos ao organismo.

Vale lembrar que a diversidade dietética que fundamenta o conceito de alimentação saudável pressupõe que nenhum alimento específico ou grupo deles isoladamente, é suficiente para fornecer todos os nutrientes necessários a uma boa nutrição e consequente manutenção da saúde.

De acordo com os princípios de uma alimentação saudável, todos os grupos de alimentos devem compor a dieta diária. A alimentação saudável deve fornecer água, carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas, fibras e minerais, os quais são insubstituíveis e indispensáveis ao bom funcionamento do organismo.

Qualquer dieta deve atender ao padrão alimentar e nutricional considerado adequado, mesmo aquela cujo objetivo seja a perda ou manutenção do peso corporal. Além disso, deve ser uma oportunidade de aprender e exercitar a reeducação alimentar, atendendo aos quesitos da adequação em quantidade e qualidade, prazer e saciedade.

A formação dos hábitos alimentares se processa de modo gradual, principalmente durante a infância e é necessário que as mudanças de hábitos inadequados sejam alcançadas no tempo adequado, sob orientação correta. Não se deve esquecer que, nesse processo, também estão envolvidos valores culturais, sociais, afetivo-emocionais e comportamentais, que precisam ser cuidadosamente integrados às propostas de mudanças.

A ciência comprova aquilo que ao longo do tempo a sabedoria popular e alguns estudiosos diziam: a alimentação saudável é a base para a saúde. A natureza e a qualidade daquilo que se come e se bebe é de importância fundamental para a saúde e para as possibilidades de se desfrutar todas as fases da vida de forma produtiva e ativa, longa e saudável.

Referência: Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

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Estratégias de emagrecimento: dieta, exercício aeróbico ou treinamento concorrente?

May 18th, 2011 § 0 comments § permalink

por Alex Itaborahy (professor de educação física)

A combinação de bons hábitos alimentares com a adoção de um programa de atividade física tem se mostrado uma boa estratégia para controle e redução da gordura corporal e isto é consenso. No entanto, muitas pessoas ainda se questionam sobre qual é a melhor estratégia (fazer só dieta, praticar apenas exercício ou combinar os dois)?
Mais ainda, se optar por praticar exercícios, que tipo de exercício deve ser feito?

Ao longo dos anos o exercício aeróbio tem sido utilizado como coadjuvante nos programas de emagrecimento, visto que promove uma grande mobilização energética. Estes exercícios são compostos por qualquer atividade física de intensidade baixa a moderada e de longa duração, como por exemplo, caminhar, correr, nadar ou andar de bicicleta.

Atualmente tem sido muito utilizada a combinação de exercícios aeróbios com exercícios de resistência muscular numa mesma sessão. Esta prática é conhecida como treinamento concorrente.
A temática pode ser atual, mas sua discussão não é recente. Em 1999, Kramer e colaboradores dividiram voluntários em quatro grupos para um estudo com a intenção de conhecer a melhor estratégia para emagrecimento. Então, durante 12 semanas um grupo fez só dieta, outro grupo fez a dieta e exercício aeróbio, um terceiro grupo fez dieta e treinamento concorrente e, para efeitos de comparação, houve ainda um quarto grupo que não fez nem dieta nem exercício (grupo controle).

No fim das 12 semanas os resultados na balança ficaram bastante parecidos, ou seja, aparentemente todos os grupos (menos o controle) tinham emagrecido de forma bem parecida. Mas, como sabemos, não podemos confiar na balança, pois ela não é 100% sincera com quem quer emagrecer, pois ela omite parte da informação, sendo necessária a análise da composição corporal para conhecer o resto da estória:

1. O grupo que fez apenas dieta apresentou além de uma diminuição da gordura corporal uma perda de massa magra, o que não é desejável, pois pode reduzir a capacidade funcional dos indivíduos através da diminuição da musculatura.
2. O grupo que fez dieta e exercício aeróbio apresentou uma redução da massa magra mais discreta que a do grupo da dieta.
3. O grupo que fez dieta associada ao treinamento concorrente tinha perdido mais gordura (emagrecimento de fato) do que os outros dois grupos (dieta pura e dieta associada com exercício aeróbio) além de ter aumentado a massa magra (músculos inclusive), melhorando sua funcionalidade.

Resumindo, todas as estratégias mencionadas levam à redução da massa corporal. Mas a perda da gordura é o que caracteriza o emagrecimento e não a perda absoluta do peso. A perda da massa magra (massa muscular, por exemplo) não é emagrecimento e não é desejável por afetar nossa capacidade de realizar as tarefas diárias. Neste sentido, uma combinação de dieta equilibrada com exercícios aeróbios e com exercícios de resistência muscular apresenta-se como uma boa estratégia para o emagrecimento sem prejuízo funcional. Os exercícios aeróbios você já conhece. Já a resistência muscular pode ser obtida na musculação, na hidroginástica, no tai-chi, yoga ou mesmo em atividades diárias que exijam lutar contra uma pequena resistência. Mas o mais importante: encontre uma atividade que te dê prazer em praticá-la.

Referência:
KRAEMER, W.J.; VOLEK, J.S.; CLARK, K.L.; GORDON, S.E.; PUHL, S.M.; KOZIRIS, L.P.; MCBRIDE, J.M.; TRIPLETT-MCBRIDE, N.T.; PYTYKIAN, M.; NEWTON, R.U.; HÄKKINEN, K.; BUSH, J.A.; SEBASTIANELLI, W.J. Influence of exercise training on physiological and performance changes with weight loss in men.  Medicine & Science in Sports & Exercise, 31(9):1320-1329, 1999.

Princípios de uma reeducação alimentar bem sucedida

May 1st, 2011 § 0 comments § permalink

por Bruno Henriques Marques (médico endocrinologista)

O processo de perda de peso é complexo e multifatorial. É comum associarmos o tratamento médico para perda de peso diretamente com as medicações anti-obesidade, o que não é em absoluto incorreto. Porém, mudanças no estilo de vida são fundamentais, municiando o processo de perda de peso com armas que aumentam as chances de sucesso do tratamento e, uma vez alcançada a perda de peso, aumentam também as chances de manter o peso alcançado. Essas mudanças incluem a prática de atividade física e a revisão e reformulação da alimentação do paciente, chamada simplesmente de “dieta” ou mais apropriadamente de “reeducação alimentar”.

Os princípios descritos abaixo têm por objetivo auxiliar os pacientes na implementação do processo de reeducação alimentar visando à perda de peso e consequente melhora global da saúde. Obviamente, estão sujeitos à avaliação médica individualizada e às situações clínicas que podem determinar alterações pontuais e específicas. Portanto, os princípios abaixo podem ser encarados com ferramentas da estratégia de reeducação alimentar.

1-Fracionamento: quanto mais vezes comermos ao dia, melhor tende a ser o processo de digestão e armazenamento de energia pelo corpo, propiciando menor acúmulo de gordura. Quando comemos mais freqüentemente tendemos a comer menos e a sobrecarregar menos as principais estruturas do corpo envolvidas na digestão.

2-Moderação: Comer é fundamental, claro! Mas devemos evitar os extremos, o radicalismo. Comer em demasia não faz bem, assim como comer muito aquém das necessidades fisiológicas básicas.

3-Equilíbrio: Equilibrar, no sentido de balancear, os grupamentos alimentares básicos nas refeições também é importante. Não é recomendável alimentar-se apenas de proteínas e gorduras, relegando ou omitindo o carboidrato das refeições. Algumas situações clínicas exigem alteração neste equilíbrio. Portanto, avaliação médico-nutricional é necessária.

4-Calma: Realizar a refeição com calma, mastigando repetidas vezes, dando oportunidade do cérebro registrar a alimentação e saciar a fome.

5-Conhecimento: observar e aprender as características dos principais alimentos contidos no programa alimentar, assim como daqueles alimentos que eventualmente serão ingeridos. Por exemplo: valor calórico, quantidade e tipo de gordura, quantidade de proteínas e carboidratos.

6-Planejamento: Muitas vezes, para colocarmos em prática nosso programa alimentar, precisamos planejar com antecedência as refeições. No contexto da vida atual, poli-atarefada e com pouco tempo, ter a refeição pré-preparada é fundamental. Programe-se!

7-Adequação: A reeducação alimentar deve ser factível, deve ser possível e realizável no seu dia a dia, ou seja, deve ser adequada às suas demandas diárias. Por isso, o planejamento alimentar deve sempre ser personalizado.

8-Foco: O sucesso de um programa de reeducação alimentar, que proporcione perda de peso e melhora global da saúde, requer foco, concentração. No dia a dia é fácil esquecermos os princípios acima citados e simplesmente comermos “qualquer coisa” rapidamente, como os famosos “fast food”. A concentração aqui sugerida é no sentido de encararmos as refeições e o programa alimentar não como uma obrigação absoluta e inalcançável que inevitavelmente falharemos, tampouco como uma “dieta” pregada na geladeira que “qualquer dia eu começo” ou “segunda-feira eu começo”, mas como um processo contínuo que requer atenção e seriedade permanente para que as metas sejam alcançadas e mantidas.

9-Uma nova proposta: Na prática clínica, percebemos que o sucesso do tratamento anti-obesidade e da reeducação alimentar estão, em geral, acoplados a uma mudança maior de comportamento. Quando este complexo comportamental está presente, um nível diferente de tratamento é alcançado. As motivações são maiores e um ciclo virtuoso se estabelece, favorecendo a perda de peso e uma vida mais saudável: “Alimento-me melhor; reduzo meu peso; faço atividade física regularmente; me sinto melhor; tenho mais vontade de me alimentar bem e controlar meu peso…”.

Espero que estes princípios auxiliem no objetivo maior, pois são resultantes de observações feitas diariamente na prática clínica lidando com pacientes de obesidade e sobrepeso.

 

Fotos da nossa clínica

April 3rd, 2011 § 0 comments § permalink

O fotógrafo Ricardo Cosme tirou algumas fotos de nossa pequena e aconchegante clínica em Copacabana. Confiram…