Princípios de uma reeducação alimentar bem sucedida

May 1st, 2011 § 0 comments

por Bruno Henriques Marques (médico endocrinologista)

O processo de perda de peso é complexo e multifatorial. É comum associarmos o tratamento médico para perda de peso diretamente com as medicações anti-obesidade, o que não é em absoluto incorreto. Porém, mudanças no estilo de vida são fundamentais, municiando o processo de perda de peso com armas que aumentam as chances de sucesso do tratamento e, uma vez alcançada a perda de peso, aumentam também as chances de manter o peso alcançado. Essas mudanças incluem a prática de atividade física e a revisão e reformulação da alimentação do paciente, chamada simplesmente de “dieta” ou mais apropriadamente de “reeducação alimentar”.

Os princípios descritos abaixo têm por objetivo auxiliar os pacientes na implementação do processo de reeducação alimentar visando à perda de peso e consequente melhora global da saúde. Obviamente, estão sujeitos à avaliação médica individualizada e às situações clínicas que podem determinar alterações pontuais e específicas. Portanto, os princípios abaixo podem ser encarados com ferramentas da estratégia de reeducação alimentar.

1-Fracionamento: quanto mais vezes comermos ao dia, melhor tende a ser o processo de digestão e armazenamento de energia pelo corpo, propiciando menor acúmulo de gordura. Quando comemos mais freqüentemente tendemos a comer menos e a sobrecarregar menos as principais estruturas do corpo envolvidas na digestão.

2-Moderação: Comer é fundamental, claro! Mas devemos evitar os extremos, o radicalismo. Comer em demasia não faz bem, assim como comer muito aquém das necessidades fisiológicas básicas.

3-Equilíbrio: Equilibrar, no sentido de balancear, os grupamentos alimentares básicos nas refeições também é importante. Não é recomendável alimentar-se apenas de proteínas e gorduras, relegando ou omitindo o carboidrato das refeições. Algumas situações clínicas exigem alteração neste equilíbrio. Portanto, avaliação médico-nutricional é necessária.

4-Calma: Realizar a refeição com calma, mastigando repetidas vezes, dando oportunidade do cérebro registrar a alimentação e saciar a fome.

5-Conhecimento: observar e aprender as características dos principais alimentos contidos no programa alimentar, assim como daqueles alimentos que eventualmente serão ingeridos. Por exemplo: valor calórico, quantidade e tipo de gordura, quantidade de proteínas e carboidratos.

6-Planejamento: Muitas vezes, para colocarmos em prática nosso programa alimentar, precisamos planejar com antecedência as refeições. No contexto da vida atual, poli-atarefada e com pouco tempo, ter a refeição pré-preparada é fundamental. Programe-se!

7-Adequação: A reeducação alimentar deve ser factível, deve ser possível e realizável no seu dia a dia, ou seja, deve ser adequada às suas demandas diárias. Por isso, o planejamento alimentar deve sempre ser personalizado.

8-Foco: O sucesso de um programa de reeducação alimentar, que proporcione perda de peso e melhora global da saúde, requer foco, concentração. No dia a dia é fácil esquecermos os princípios acima citados e simplesmente comermos “qualquer coisa” rapidamente, como os famosos “fast food”. A concentração aqui sugerida é no sentido de encararmos as refeições e o programa alimentar não como uma obrigação absoluta e inalcançável que inevitavelmente falharemos, tampouco como uma “dieta” pregada na geladeira que “qualquer dia eu começo” ou “segunda-feira eu começo”, mas como um processo contínuo que requer atenção e seriedade permanente para que as metas sejam alcançadas e mantidas.

9-Uma nova proposta: Na prática clínica, percebemos que o sucesso do tratamento anti-obesidade e da reeducação alimentar estão, em geral, acoplados a uma mudança maior de comportamento. Quando este complexo comportamental está presente, um nível diferente de tratamento é alcançado. As motivações são maiores e um ciclo virtuoso se estabelece, favorecendo a perda de peso e uma vida mais saudável: “Alimento-me melhor; reduzo meu peso; faço atividade física regularmente; me sinto melhor; tenho mais vontade de me alimentar bem e controlar meu peso…”.

Espero que estes princípios auxiliem no objetivo maior, pois são resultantes de observações feitas diariamente na prática clínica lidando com pacientes de obesidade e sobrepeso.

 

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