Efeitos da obesidade no sistema musculo-esquelético

August 2nd, 2011 § 2 comments

por Diana Guanziroli (fisioterapeuta)

Há evidências científicas de que a obesidade favorece o aparecimento de artrose nos membros inferiores, especialmente nos joelhos. E artrose significa dor e limitação de movimento.

Nas articulações, os ossos estão revestidos por uma cartilagem que os protege e serve como amortecedor, absorvendo impactos e evitando lesões. A cartilagem sofre desgaste devido ao uso e ao excesso de impacto. Existe um mecanismo de recuperação da cartilagem que repara os defeitos derivados de excesso de uso ou compressão. Mas, se a reparação não consegue superar o nível de desgaste, dão-se as condições para o surgimento da artrose. Obesidade e mal alinhamento esquelético são algumas das condições que prejudicam esse processo de reparação.

Quando existem distúrbios no alinhamento esquelético, o peso não é distribuído homogeneamente nas articulações, mas se concentra sobre pontos específicos, o que aumenta o desgaste articular. É o caso das pessoas que ficam em pé com os joelhos excessivamente juntos (genu valgum) ou excessivamente arqueados e separados (genu varum), provocando aumento de peso na região interna e externa do joelho respectivamente. A obesidade tende a exagerar esta tendência facilitando a lesão. Cada quilograma de aumento de massa corporal tem um impacto de 4kg no joelho. Um terço das cirurgias de prótese de joelho está relacionado com a obesidade.

É provável que aconteçam lesões de tendões, ligamentos e músculos devido ao aumento de massa corporal, em especial quando esta não está distribuída homogeneamente resultando em entorses, distensões, contraturas, quedas.

A coordenação motora e o equilíbrio também parecem ser alterados com a obesidade. Um estudo feito com crianças conclui que as crianças com sobrepeso ou obesas têm mais dificuldade em manter a postura durante exercícios de equilíbrio em pé ou sentado em relação às crianças com peso adequado. Outro estudo, feito em adultos, relata alterações no equilíbrio em obesos. Isto predispõe a quedas com a consequência de possíveis fraturas e entorses. Também gera insegurança que desestimula o exercício físico e a vida ativa.

A atividade física é recomendada nos tratamentos contra a obesidade. Corrida, musculação, andadas, alongamentos formam parte dos programas de exercitação. Mas essas atividades podem ser contraproducentes. Tomemos o caso da corrida: cada passada carrega os membros inferiores com 4 a 8 vezes o peso corporal. No indivíduo com peso normal, a cartilagem afina e após repouso volta a sua situação normal. Mas no caso de pessoas com sobrepeso, ocorre a situação descrita acima. onde a reposição é menor que o desgaste com conseqüente lesão da cartilagem e tendência à artrose. O mesmo acontece na marcha no indivíduo que apoia todo seu peso em cada passo com um golpe contra o chão. Começa assim um círculo vicioso de exercício-lesão-parada para recuperação com subsequente aumento da massa corporal e frustração.  É aconselhável recorrer a avaliação fisioterápica personalizada que indique os movimentos adequados para esse indivíduo de acordo com sua organização corporal.

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§ 2 Responses to Efeitos da obesidade no sistema musculo-esquelético"

  • Gustavo Henrique says:

    Muito bom o texto! Este ciclo vicioso de lesão articular, sedentarismo, piora do peso e aumento da lesão articular é o que mais se vê por aí.

  • Vera Lucia Brandão de Lima says:

    Agradeço não só êste esclarecimento bem como as dicas dadas, pois só quem tem a obesidade em sua vida é que sabe o que sofre em quase todas as àreas sejam emocionais ou corporais.